Wednesday, January 04, 2012

O Karamelo vs. o Mundo: Reportagem sobre Moda

Há dias passou na Sic uma "reportagem"* sobre o mundo da moda. Um dos encarregados de escolher as modelos pedia mulheres altas com pouco peito e sem anca, e noutro momento referiu-se que o modelo de homem estava a alterar-se para um modelo mais andrógino.

Isto é uma manifestação de um mercado que pretende vender o sonho do "women empowerment" a mulheres influenciáveis (pleonasmo) e que substituem vazios emocionais/ocupacionais com aquisição de tralha. Nesse sonho as mulheres têm o poder sobre o mundo por serem praticamente homens (altas, sem peito nem anca), e os homens são singelas figuras efeminadas, radiantes que as mulheres os vistam com cores creme e écharpes, e dispostos a servi-las. A inversão dos papeis atribuídos pela evolução, mais um triunfo da civilização sobre a natureza. No sonho, claro.


Proponho que o mundo da moda beneficiaria de ter homens heterossexuais a efectuarem as decisões, em vez do banho de estrogénio que é na realidade.

Os modelos masculinos seriam semelhantes a motards, lenhadores e construtores civis, volumosos, com a pele curtida, pêlo onde ele nasce, barriga de cerveja, poderosos antebraços e a careca a aparecer. Homens que outros poderiam admirar como exemplares, ao invés de como repugnantes e emasculados.

As modelos femininas seriam saudáveis, exemplos de fertilidade, com musculadas pernas, excelente proporção cintura/anca, e a saudável camada de gordura corporal que as mulheres devem ter para possuirem belos cabelos e ciclos menstruais (abaixo de um certo rácio de gordura os ciclos cessam, como é frequente com ginastas e culturistas femininas. No caso das ginastas isto chega a atrasar a entrada na adolescência).

Seriam aceites mulheres novas e velhas, gordas e magras, desde que dessem pau (porque é disso que os homens realmente gostam :3)

As roupas não ficariam ultrapassadas de ano para ano, durariam pelo menos 5 anos.

As roupas masculinas seriam resistentes, permitindo ao homem mover-se com facilidade, podendo correr, chutar bolas, trepar a árvores, rebolar pelo chão, e dormir nelas, sem rasgar nem demonstrar sujidade.

As roupas femininas seriam de fácil remoção, ou pelo menos fácil acesso ás partes mais irrigadas. E ao serem arrancadas á bruta não rasgariam, abririam graciosamente por linhas a isso dedicadas.



* não era uma "reportagem real", apenas uma dramatização contendo testemunhos reais; isto é identificável, por exemplo, por conter música sobreposta à imagem que não era relacionada com o tema nem estava a passar durante os momentos em que a reportagem foi filmada; a música foi introduzida durante o processo de edição de forma a criar uma sugestão subliminar no receptor sobre aquilo de que trata o tema que se está a examinar em "reportagem", representando uma manipulação sobre o receptor da mensagem da reportagem, ao invés da transmissão de informação.

Uma reportagem deveria tentar transmitir os factos examinados e deixar as pessoas decidir o que pensar, sem músicas alegres ou tristes, e sem a introdução de juízos de valor por parte do jornalista. Raramente se vêm reportagens nos serviços noticiosos dos canais (geralmente encontram-se algumas nos canais noticiosos de cabo ou na RTP2).

Naquele caso, a música escolhida era uma música moderna e sofisticada, semelhante a que se ouve num bar selecto e de elevado custo de entrada. Isto transmite a ideia que o mundo da moda é glamoroso, belo, e com acesso a festas diárias cheias de gente gira. A realidade é diferente, tratando-se do exponencialização da futilidade, da exploração de jovens desmiolados e permanentemente subnutridos com a cara coberta de tinta e pó, a contorcerem-se a fazerem caretas para uma máquina fotográfica, a vestirem roupas ridículas a preços inflacionados que não são deles, e a encararem aqueles que os rodeiam como inevitáveis competidores, e com uma fraca auto-estima por viverem num mundo só lhes dá valor enquanto forem novidade e enquanto não surgir ninguém com mais sorte nos genes.


prontos é o que eu acho da moda XD loll

2 comments:

A said...

subscrevo tudo! principalmente as femininas partes mais irrigadas, que tanto aprecio.

nunca tinha pensado na cena da música, mas faz todo o sentido. sempre que aqui venho ler imagino a La Noyée a tocar ao fundo, devido ao deslumbramento que me provoca.

e agora fui um pouco gay.

o-karamelo said...

Mas lá está, és tu que estás a sentir essa música pelo que lês, e não eu que te estou a meter uma música pela goela abaixo para te sugerir o que deves sentir. Para isso servem as notícias

Não imaginava que O Karamelo (que a partir de agora se pode referir em francês, "Le Karramelô") fizesse lembrar música da Amelie! (essa puta) Fico feliz por deslumbrar, é sinal que atingi o meu segundo objectivo (sendo o primeiro explicar ao mundo como deve ser em vez de como, enganadamente, é)

Não é de todo gay essa sugestão, é bastante viajada e conhecedora, como tu, A (tive de ir ver o que era La Noyée aos googles)